PÁGINAS DO DIÁRIO DE UM FORITA

“VAIA LÁ ENTÃO!!!”

Um gajo já está habituado a ver e ouvir as maiores imagens televisivas, vindas de todo o lado. Polícias em perseguição automóvel a alta velocidade a criminosos violentos, já todos vimos nos blocos noticiários americanos; polícias asiáticos a espancar tibetanos, polícias brasileiros a fazer o que de pior possamos imaginar. E além… Mas encontrar o Bucha e o Estica, versão PSP Bubadêra, não estava à espera. 

É assim o regresso do Enviado Espacial à escrita. Aconteceu mesmo, não foi alucinação, nem inventado e tenho a prova. Ao atravessar uma cidade ribatejana, já por si atravessada por uma linha de caminhos de ferro, aconteceu ao Enviado Espacial a coisa mais espantosa pela qual passou. Talvez não a mais espantosa, mas está no top 13.

Era um dia de sol, nem belo, nem quente demais. Viajava calmamente de carro, com uma “pandeirete” na mão direita… Já tinha quase chegado ao meu destino, quando um carro verde atrás de mim parecia estar em perseguição a algum criminoso. fazia sinais de luzes, apitava, guinava para a esquerda e para a direita (podia ser da direita para a esquerda, mas não acho relevante), faziam sinais lá de dentro e havia uma luz, tipo pirilampo, de cor azul. Assim foi durante uns cem metros. Até que resolvi encostar à berma, a fim de deixar passar o Renault Clio esverdeado e apressado.

Mas o tal automóvel parou também. Vinham lá problemas de certezinha…

“Olhe, Polícia! A sua identificação, por favor!”, disse um deles. A sua cara era de parvo, com uma cara magra, camisa meio por dentro das calças, meio por fora. Ao lado, um baixote gordo que nem um chibo, também estava todo descamisado. Enebriados, ou sóbrios, em caso de de aposta 50/50, escolheria a primeira hipótese. ”Boa tarde, disse eu, prosseguindo com uma frase importante: “Eu mostro-lhe a minha identificação e você mostra-me a sua. É justo e legal” Aqui começaram os problemas. Os agentes da PSP não reconheceram essa frase e começaram a brécar um bocado. “Você vinha a conduzir este veículo automóvel de quatro rodas, mais uma subsalente, com uma pandeirete nas duas mãos. Não sabe que isso é… condução perigosa??? Meteu todos os outros transe  e untes em perigo”.

Rir-me era um bocado mau naquele momento. Por outro lado, era um momento demasiado parvo para ser levado a sério. Então disse: “Mas não está nada escrito no código da estrada que diga que não posso ter uma pandeireta na mão. Assim, como um cigarro, uma caneta, um cd. Já o telefone é diferente, senhor agente”.

Caneta de Merda

Entretanto, o cara de parvo lá ia apontando os meus dados no seu bloco de merda, com a sua caneta de merda. Pus-me a contestar aquela intrujice. Mas não valia a pena, nada entrava naquelas cabeças. Finda a sua escrita criativa, pedi-lhe a caneta de merda emprestada para eu apontar a sua identificação. Mas queria ver o distintivo para confirmar o número e mome que me facultou. Aqui foi o descalabro: Não cedeu à minha exigência, à qual é obrigado por lei a fazer. E começavam os dois a ir embora…

Perguntei: “Então, mas vocês não podem ir embora assim. O senhor agente tem de me mostrar a identificação. Estão os dois vestidos à civil, trazem um carro descaracterizado com uma luz azul, e não me querem facultar a vossa identificação, mesmo sendo os senhores obrigados a isso? Então? E abandonam o local enquanto o suposto infractor vos pede informação? Qualquer um cidadão, com mais ou menos idoneidade, pode arranjar uma luz azul e um distintivo daqueles do carnaval e andar aí a perseguir gajos com pandeiretas e outros criminosos do género. Assim, vou apresentar queixa dos senhores”.

Capítulo da Merda

Foi depois disto que ouvi da boca do bucha bebedolas a frase que dá nome a esta página, e que à conta dos dois merdosos agentes da PSP, é uma página de merda: “Então vaia lá apresentar queixa da gente. Vamos embora ó Artur, questes querem é conversa”.

A carta com a multa acabou de chegar. Na realidade, não sei bem como, já que a morada do destinatário apontava para ASSENTIZ. Primeiro, o nome Assentis escreve-se assim, embora a placa esteja com Z. Em segundo, porquê Assentis? Porque não New York ou Valhelhas? Tenho tanto a ver com uma ou com as outras. Eu pessoalmente, prefiro o vinho engarrafado. O de jarro deixa os lábios roxos e entorpece um bocado as ideias.

Fim (só depois deste parágrafo)

Por fim, era referido no auto que o “arguido conduzia, segurando com as duas mãos numa pandeirete“. As testemunhas oculares da infracção, os dois agentes, seguiam num automóvel atrás. Provando a minha habilidade, terei entrado num túnel, feito duas curvas a 90 graus e outra mais pequena, com as duas mãos na pandeireta. Também é rara a aquidade visual de qualquer um dos enorpecidos bêbedos de merda. Vá lá, se eles tivessem visto um elefante nas minhas mãos ainda me acusavam de ser o Clark Kent. E se fosse um elefante Branco? Aí safava-me…

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